A discursiva da CGU 2026 é eliminatória
A portaria já definiu: a prova discursiva elimina. O que isso muda no seu planejamento, e o que o concurso anterior mostra sobre o formato.
Revisto em 23/09 de 2026
O que a portaria já decidiu
O art. 2º da Portaria Normativa CGU nº 285, de 9 de setembro de 2026, diz que o concurso terá "etapa única, com provas objetivas e discursivas, de caráter eliminatório".
A palavra que muda o planejamento é "eliminatório", e ela vale para as duas provas. Não se trata de uma discursiva que só desempata: é uma prova que tira da disputa quem não alcançar a nota, por melhor que tenha ido na objetiva.
Por que isso reordena o estudo de quase todo mundo
A rotina mais comum em concurso é deixar a discursiva para depois do resultado da objetiva. Ela funciona quando há duas etapas separadas por semanas. Aqui não há: a etapa é única, e as duas provas são aplicadas no mesmo certame.
Quem só começa a escrever depois do edital chega ao dia da prova tendo redigido pouco sobre auditoria e controle — que são justamente os assuntos em que a diferença entre saber e saber escrever é maior. Citar a norma pelo nome e pelo número, sustentar uma posição e fechar no limite de linhas são três habilidades que não se improvisam na véspera.
A ação afirmativa incide na correção, e não nas vagas
O parágrafo único do mesmo art. 2º determina que, "para a correção das provas discursivas", será adotada "ação afirmativa voltada às mulheres para a promoção da igualdade de gênero", com fundamento no Decreto nº 11.785/2023.
É correção, não reserva de vagas — e é diferente das reservas da Lei nº 15.142/2025, para pessoas pretas, pardas, indígenas e quilombolas, e da reserva para pessoas com deficiência, que a mesma portaria manda observar ao mesmo tempo. Os critérios concretos virão no edital.
O formato do concurso anterior, como referência
No Edital de Concurso CGU nº 1/2021, executado pela Fundação Getulio Vargas, a prova discursiva do cargo de Auditor Federal de Finanças e Controle teve duas peças: uma dissertação de até 90 linhas, valendo 50 pontos, e uma questão de até 15 linhas, valendo 20 pontos.
Isso é referência histórica, e não previsão: a banca de 2026 ainda não foi definida, e cada banca tem a própria forma de cobrar. O que serve como treino é a ordem de grandeza — escrever bem dentro de um limite apertado de linhas, sem sobrar nem faltar.
Como treinar antes de saber a banca
Três coisas funcionam independentemente de quem organize a prova. A primeira é escrever sobre o conteúdo do cargo, e não sobre tema genérico: uma dissertação sobre o modelo de três linhas exercita ao mesmo tempo a redação e a norma. A segunda é citar pelo nome e pelo número — "IN SFC nº 3/2017", e não "a instrução normativa da auditoria". A terceira é respeitar o limite de linhas desde o primeiro treino, porque cortar texto pronto é mais difícil do que parece.
Onde conferir
CGU — Concursos Públicos: www.gov.br/cgu/pt-br/acesso-a-informacao/concursos Decreto nº 11.785/2023 (Programa Federal de Ações Afirmativas): www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2023-2026/2023/decreto/D11785.htm Lei nº 15.142/2025 (reserva de 30%): www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2023-2026/2025/lei/L15142.htm Edital de Concurso CGU nº 1/2021: conhecimento.fgv.br/sites/default/files/concursos/0_-_edital_de_concurso_cgu_001-2021.pdf
A Portaria Normativa CGU nº 285/2026 está no Diário Oficial da União de 17/09/2026, Seção 1, nº 176, página 176.